Era das Conseqüências: A Batalha de Learsi

  • Chapter 2, 21 de Confusão de 7232 Nossa Senhora

Início da aventura...

Em um dia muito, muito quente... Esqueça. Era um dia excepcionalmente quente.
Neste dia, havia um garoto debaixo de uma árvore. Uma árvore em um morro. O garoto se chamava Lorde.
É um nome de fato muito pretensioso. Mas não se preocupe; Lorde não queria se tornar um lorde. Há quase três milênios não havia um lorde sequer em todo o universo.
E perceba: o universo é realmente muito grande.
Lorde não quis ir à escola naquele dia quente. Ele tinha muito que pensar; tinha 13 anos. Nesta idade, precisava tomar decisões importantes. Ele se sentou embaixo da árvore e lá ficou durante toda a manhã.
Não que ele precisasse ir à escola. Ninguém precisa, em 7232. Mas a Escola é um bom lugar pra se pensar, em 7232. Um ótimo lugar.
- Lorde! Lorde! - berrava Berto, amigo de Lorde. Berto subira até lá ao reconhecer o amigo. - E então, tudo bem?
- Sim, sim...
Berto era amigo de infância de Lorde. Seus pais eram amigos, e os dois se conheciam desde os 9 anos de idade.
- O que fez hoje?
- Tirei a manhã pra pensar.
- Ah... - Berto sentou-se de frente para ele - e a que conclusão chegou?
Lorde se ajeitou na grama. Experimentaria enfim a reação de alguém à frase que diria a seguir:
- Eu quero fazer parte da S.D.U.
- S.D.U.?
- É.
- S.D.U.? - perguntou Berto, com ênfase na sigla.
- É, você sabe, Sociedade...
- Eu sei o que significa.
- Então por que você pergunta?
- Ah, porque... Sei lá. É diferente.
Na verdade, não é diferente. O discordianismo não é a exceção, é a regra neste universo da Deusa, mas fazer parte da S.D.U. sim, era algo um tanto quanto incomum. Corajoso, essa é a melhor palavra.
- Não é diferente. O discordianismo é o atual "sistema", o atual "modelo" de sociedade. A S.D.U. é apenas um órgão oficial que ordena reverendos...
- E você quer ser um.
- Não.
- Como assim? - perguntou Berto, confuso.
- Eu não quero me tornar reverendo. Quero me tornar Cavaleiro.
Um momento que Berto usou para compreender.
- Você diz... Lutas? Espadas, armas, artes marciais?
- Ser um cavaleiro discordiano é muito mais do que isso. - censurou Lorde - ser um cavaleiro discordiano é levar a iluminação discordiana para as comunidades mais longínquas da galáxia. É levar a mensagem da justiça e do acordo para resolver os conflitos daqueles que insistem em levar uma vida agressiva, baseada na dominação, no princípio anerístico.
- Tá, tá, tá... Eu aproveito a mensagem discordiana muito bem. Eu vou ser é motorista de naves... Talvez um transportador, ou talvez motorista de corrida, não sei... Eu adoro velocidade...
- Sim, você entende a mensagem bem. Mas eu quero mais do que entender, sei lá... Eu quero mergulhar profundamente nas leis, quero estudar o discordianismo e quero treinar para ser alguém que leva a mensagem discordiana para o universo.
- Mas por que você? - perguntou Berto - digo, há milênios pessoas lutavam para mudar o planeta Terra porque ele era horrível. - Berto às vezes vinha com conversas estranhas e morais demais. - Tinham um sonho em que todas as pessoas pudessem ser livres e não houvesse mais nenhum problema. Então as pessoas conseguiram, e também conseguiram sair do planeta e explorar o universo, criando comunidades humanas por aí... Deveria estar acabado. O universo não poderia ter problemas.
- O problema é mais... Profundo. - ressaltou Lorde. - O problema é que qualquer sistema de organização humana exige o uso da razão, em contraponto aos instintos, à porção animal do homem. E por isso conseguimos um universo estável e sem grandes problemas. Porém é preciso manter a postura discordiana para manter o sistema discordiano, e às vezes as pessoas quebram essa postura e desejam mudar o mundo para torná-lo mais "fácil" ou mais cômodo, enfim, afundando-o de novo, levando-o para onde ele estava antes da batalha da luz. Por isso é preciso manutenção. Por isso é preciso que a mensagem discordiana continue sendo levada.
- E isso não é um tipo de... Dominação?
Lorde pensou um pouco. Era um ponto em que sempre era possível cair em controvérsia, caso ele já não tivesse passado parte da manhã pensando nisso.
- Não. Se alguém quiser viver a vida como antigamente, nada impede. O problema é quando a pessoa começa a achar que isso é o certo, e começa a convencer todo mundo a se prender na mesma lei, e subverte o sistema. Ao invés de uma liberdade pra ser assim, há uma liberdade pra ser desde que não seja de outro jeito... Entende o que digo? Liberdade vigiada, só que pior um pouco. Não existe liberdade assim. É piada.
Berto pensou um pouco.
- Bem... É mais ou menos como Caracinza, não?
- É.
- Ah... Então entendo. Mas estou com fome. Vamos logo almoçar.


No pequeno planeta de Z-15, um grupo de desbravadores humanos tinha sido acometido por uma terrível praga, que havia dizimado muitos. Após achar a cura, as formas de vida primitivas do planeta foram também destruídas pelo vírus. Era hora de sair dali. O planeta havia se tornado perigoso.
Um sinal havia sido enviado ao planeta Z-20, o planeta mais próximo, habitado há (relativamente, que fique bem claro) pouco tempo, para que os habitantes de lá viessem socorrê-los. Será que já estavam a caminho?

Tags : adventureLordeBertoAriadno

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