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Chapter 2, 21 de Confusão de 7232 Nossa Senhora
- written 16th Jul 2007 by peterson0a0
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Início da aventura...
Tags : adventureLordeBertoAriadno
Em um dia muito, muito quente... Esqueça. Era um dia excepcionalmente quente.
Neste dia, havia um garoto debaixo de uma árvore. Uma árvore em um morro. O garoto se chamava Lorde.
É um nome de fato muito pretensioso. Mas não se preocupe; Lorde não queria se tornar um lorde. Há quase três milênios não havia um lorde sequer em todo o universo.
E perceba: o universo é realmente muito grande.
Lorde não quis ir à escola naquele dia quente. Ele tinha muito que pensar; tinha 13 anos. Nesta idade, precisava tomar decisões importantes. Ele se sentou embaixo da árvore e lá ficou durante toda a manhã.
Não que ele precisasse ir à escola. Ninguém precisa, em 7232. Mas a Escola é um bom lugar pra se pensar, em 7232. Um ótimo lugar.
- Lorde! Lorde! - berrava Berto, amigo de Lorde. Berto subira até lá ao reconhecer o amigo. - E então, tudo bem?
- Sim, sim...
Berto era amigo de infância de Lorde. Seus pais eram amigos, e os dois se conheciam desde os 9 anos de idade.
- O que fez hoje?
- Tirei a manhã pra pensar.
- Ah... - Berto sentou-se de frente para ele - e a que conclusão chegou?
Lorde se ajeitou na grama. Experimentaria enfim a reação de alguém à frase que diria a seguir:
- Eu quero fazer parte da S.D.U.
- S.D.U.?
- É.
- S.D.U.? - perguntou Berto, com ênfase na sigla.
- É, você sabe, Sociedade...
- Eu sei o que significa.
- Então por que você pergunta?
- Ah, porque... Sei lá. É diferente.
Na verdade, não é diferente. O discordianismo não é a exceção, é a regra neste universo da Deusa, mas fazer parte da S.D.U. sim, era algo um tanto quanto incomum. Corajoso, essa é a melhor palavra.
- Não é diferente. O discordianismo é o atual "sistema", o atual "modelo" de sociedade. A S.D.U. é apenas um órgão oficial que ordena reverendos...
- E você quer ser um.
- Não.
- Como assim? - perguntou Berto, confuso.
- Eu não quero me tornar reverendo. Quero me tornar Cavaleiro.
Um momento que Berto usou para compreender.
- Você diz... Lutas? Espadas, armas, artes marciais?
- Ser um cavaleiro discordiano é muito mais do que isso. - censurou Lorde - ser um cavaleiro discordiano é levar a iluminação discordiana para as comunidades mais longínquas da galáxia. É levar a mensagem da justiça e do acordo para resolver os conflitos daqueles que insistem em levar uma vida agressiva, baseada na dominação, no princípio anerístico.
- Tá, tá, tá... Eu aproveito a mensagem discordiana muito bem. Eu vou ser é motorista de naves... Talvez um transportador, ou talvez motorista de corrida, não sei... Eu adoro velocidade...
- Sim, você entende a mensagem bem. Mas eu quero mais do que entender, sei lá... Eu quero mergulhar profundamente nas leis, quero estudar o discordianismo e quero treinar para ser alguém que leva a mensagem discordiana para o universo.
- Mas por que você? - perguntou Berto - digo, há milênios pessoas lutavam para mudar o planeta Terra porque ele era horrível. - Berto às vezes vinha com conversas estranhas e morais demais. - Tinham um sonho em que todas as pessoas pudessem ser livres e não houvesse mais nenhum problema. Então as pessoas conseguiram, e também conseguiram sair do planeta e explorar o universo, criando comunidades humanas por aí... Deveria estar acabado. O universo não poderia ter problemas.
- O problema é mais... Profundo. - ressaltou Lorde. - O problema é que qualquer sistema de organização humana exige o uso da razão, em contraponto aos instintos, à porção animal do homem. E por isso conseguimos um universo estável e sem grandes problemas. Porém é preciso manter a postura discordiana para manter o sistema discordiano, e às vezes as pessoas quebram essa postura e desejam mudar o mundo para torná-lo mais "fácil" ou mais cômodo, enfim, afundando-o de novo, levando-o para onde ele estava antes da batalha da luz. Por isso é preciso manutenção. Por isso é preciso que a mensagem discordiana continue sendo levada.
- E isso não é um tipo de... Dominação?
Lorde pensou um pouco. Era um ponto em que sempre era possível cair em controvérsia, caso ele já não tivesse passado parte da manhã pensando nisso.
- Não. Se alguém quiser viver a vida como antigamente, nada impede. O problema é quando a pessoa começa a achar que isso é o certo, e começa a convencer todo mundo a se prender na mesma lei, e subverte o sistema. Ao invés de uma liberdade pra ser assim, há uma liberdade pra ser desde que não seja de outro jeito... Entende o que digo? Liberdade vigiada, só que pior um pouco. Não existe liberdade assim. É piada.
Berto pensou um pouco.
- Bem... É mais ou menos como Caracinza, não?
- É.
- Ah... Então entendo. Mas estou com fome. Vamos logo almoçar.
No pequeno planeta de Z-15, um grupo de desbravadores humanos tinha sido acometido por uma terrível praga, que havia dizimado muitos. Após achar a cura, as formas de vida primitivas do planeta foram também destruídas pelo vírus. Era hora de sair dali. O planeta havia se tornado perigoso.
Um sinal havia sido enviado ao planeta Z-20, o planeta mais próximo, habitado há (relativamente, que fique bem claro) pouco tempo, para que os habitantes de lá viessem socorrê-los. Será que já estavam a caminho?
Neste dia, havia um garoto debaixo de uma árvore. Uma árvore em um morro. O garoto se chamava Lorde.
É um nome de fato muito pretensioso. Mas não se preocupe; Lorde não queria se tornar um lorde. Há quase três milênios não havia um lorde sequer em todo o universo.
E perceba: o universo é realmente muito grande.
Lorde não quis ir à escola naquele dia quente. Ele tinha muito que pensar; tinha 13 anos. Nesta idade, precisava tomar decisões importantes. Ele se sentou embaixo da árvore e lá ficou durante toda a manhã.
Não que ele precisasse ir à escola. Ninguém precisa, em 7232. Mas a Escola é um bom lugar pra se pensar, em 7232. Um ótimo lugar.
- Lorde! Lorde! - berrava Berto, amigo de Lorde. Berto subira até lá ao reconhecer o amigo. - E então, tudo bem?
- Sim, sim...
Berto era amigo de infância de Lorde. Seus pais eram amigos, e os dois se conheciam desde os 9 anos de idade.
- O que fez hoje?
- Tirei a manhã pra pensar.
- Ah... - Berto sentou-se de frente para ele - e a que conclusão chegou?
Lorde se ajeitou na grama. Experimentaria enfim a reação de alguém à frase que diria a seguir:
- Eu quero fazer parte da S.D.U.
- S.D.U.?
- É.
- S.D.U.? - perguntou Berto, com ênfase na sigla.
- É, você sabe, Sociedade...
- Eu sei o que significa.
- Então por que você pergunta?
- Ah, porque... Sei lá. É diferente.
Na verdade, não é diferente. O discordianismo não é a exceção, é a regra neste universo da Deusa, mas fazer parte da S.D.U. sim, era algo um tanto quanto incomum. Corajoso, essa é a melhor palavra.
- Não é diferente. O discordianismo é o atual "sistema", o atual "modelo" de sociedade. A S.D.U. é apenas um órgão oficial que ordena reverendos...
- E você quer ser um.
- Não.
- Como assim? - perguntou Berto, confuso.
- Eu não quero me tornar reverendo. Quero me tornar Cavaleiro.
Um momento que Berto usou para compreender.
- Você diz... Lutas? Espadas, armas, artes marciais?
- Ser um cavaleiro discordiano é muito mais do que isso. - censurou Lorde - ser um cavaleiro discordiano é levar a iluminação discordiana para as comunidades mais longínquas da galáxia. É levar a mensagem da justiça e do acordo para resolver os conflitos daqueles que insistem em levar uma vida agressiva, baseada na dominação, no princípio anerístico.
- Tá, tá, tá... Eu aproveito a mensagem discordiana muito bem. Eu vou ser é motorista de naves... Talvez um transportador, ou talvez motorista de corrida, não sei... Eu adoro velocidade...
- Sim, você entende a mensagem bem. Mas eu quero mais do que entender, sei lá... Eu quero mergulhar profundamente nas leis, quero estudar o discordianismo e quero treinar para ser alguém que leva a mensagem discordiana para o universo.
- Mas por que você? - perguntou Berto - digo, há milênios pessoas lutavam para mudar o planeta Terra porque ele era horrível. - Berto às vezes vinha com conversas estranhas e morais demais. - Tinham um sonho em que todas as pessoas pudessem ser livres e não houvesse mais nenhum problema. Então as pessoas conseguiram, e também conseguiram sair do planeta e explorar o universo, criando comunidades humanas por aí... Deveria estar acabado. O universo não poderia ter problemas.
- O problema é mais... Profundo. - ressaltou Lorde. - O problema é que qualquer sistema de organização humana exige o uso da razão, em contraponto aos instintos, à porção animal do homem. E por isso conseguimos um universo estável e sem grandes problemas. Porém é preciso manter a postura discordiana para manter o sistema discordiano, e às vezes as pessoas quebram essa postura e desejam mudar o mundo para torná-lo mais "fácil" ou mais cômodo, enfim, afundando-o de novo, levando-o para onde ele estava antes da batalha da luz. Por isso é preciso manutenção. Por isso é preciso que a mensagem discordiana continue sendo levada.
- E isso não é um tipo de... Dominação?
Lorde pensou um pouco. Era um ponto em que sempre era possível cair em controvérsia, caso ele já não tivesse passado parte da manhã pensando nisso.
- Não. Se alguém quiser viver a vida como antigamente, nada impede. O problema é quando a pessoa começa a achar que isso é o certo, e começa a convencer todo mundo a se prender na mesma lei, e subverte o sistema. Ao invés de uma liberdade pra ser assim, há uma liberdade pra ser desde que não seja de outro jeito... Entende o que digo? Liberdade vigiada, só que pior um pouco. Não existe liberdade assim. É piada.
Berto pensou um pouco.
- Bem... É mais ou menos como Caracinza, não?
- É.
- Ah... Então entendo. Mas estou com fome. Vamos logo almoçar.
No pequeno planeta de Z-15, um grupo de desbravadores humanos tinha sido acometido por uma terrível praga, que havia dizimado muitos. Após achar a cura, as formas de vida primitivas do planeta foram também destruídas pelo vírus. Era hora de sair dali. O planeta havia se tornado perigoso.
Um sinal havia sido enviado ao planeta Z-20, o planeta mais próximo, habitado há (relativamente, que fique bem claro) pouco tempo, para que os habitantes de lá viessem socorrê-los. Será que já estavam a caminho?
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