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Chapter 4, 70 de Discórdia de 7243 Nossa Senhora
- written 16th Jul 2007 by peterson0a0
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Aqui Ariadno toma (cria?) o poder
Tags : adventureAmadaLordeAriadnoKalisti
Amada anotava em seu caderno todos os resultados de uma grandiosa e esquisita máquina guardada em um quarto de sua casa. O quarto era todo empoeirado e se resumia a uma grande mesa que sustentava a máquina. O único feixe de luz que entrava por uma pequena janela revelava muita sujeira que vagava pelo ar. Amada anotou alguma coisa e então fez algumas contas... Imediatamente saiu do quarto.
Lorde havia voltado de viagem para a Terra. Ele estava tomando café no grande salão da sede da Sociedade Discordiana Universal, em Rio Claro. O grande salão estava quase vazio. Ele estava sozinho, pois lia o jornal e gostava muito de fazê-lo ouvindo músicas de seu dispositivo musical, e comendo um sanduíche.
Quando Amada entrou no grande salão, sua atenção foi desviada por um segundo, como sempre acontecia quando alguém entrava. O salão estava deserto, ver alguém entrar é raro. Era só curiosidade.
Amada se dirigiu em direção a ele. Ela vestia uma longa túnica roxa com flores vermelhas, porém desbotadas. Seu cabelo, branco, encaracolado e volumoso, parecia estar ainda mais rebelde hoje, e seu rosto enrugado e pálido parecia estar ainda mais pálido.
- Amada, como vai?
- Preciso falar com você, Lorde.
- Claro. Sente-se.
Amada pegou uma cadeira e se sentou em frente à Lorde.
- Eu acho que algo está prestes a acontecer. Algo muito ruim.
- Porque hoje não existe mais ordem! Vivemos em vão! Eu tenho certeza que meu Deus todo poderoso tem planos para mim, mas estou aqui para passar por este mundo sujo e pecaminoso, sem nenhum projeto a ter!
Ariadno estava vestido bem, e conversava na praça de uma comunidade em Z-20 com várias pessoas. Estava tentando convencê-las de suas idéias. Que não eram novas, mas ele não alegava que eram. Ele mesmo dizia que a nova era permaneceu por tempo demais não governando a vida das pessoas, e que o passado glorioso das repúblicas democráticas deveria ser restabelecido.
Uma boa idéia para os moradores do afastado planeta Z-20.
- Como assim?
- Você precisa me ouvir, eu...
- Calma, Amada, me conte com calma. Do que você está falando?
- Estou falando... Da volta de Caracinza. Aquele que irá colocar o universo na Macroera das Conseqüências e trazê-lo ao fim iminente.
- Não, espere um momento... - Lorde se confundiu por um tempo, mas foi apenas a confusão provocada por uma informação estranha colocada assim, muito rapidamente. - Você se refere à Caracinza, o...
- Sim, o da maldição. O de tempos passados. Ele voltará, Lorde. E tenho muito a dizer.
- Reverendo! Reverendo!
Lorde e Amada vinham em um corredor. Eles chamavam pelo Reverendo Kalisti, um grande estudioso do discordianismo, universalmente famoso.
- Sim, Lorde e Amada, como vão? - perguntou Kalisti.
- Não tão bem. Tem um tempo para nós?
- Claro, claro. Vamos até a minha sala.
- Vocês estão me dizendo que Caracinza voltará? - perguntou Kalisti, sentando-se em sua cadeira, e com uma feição de incredulidade.
- É o que o caômetro sentiu. Você sabe que ele não costuma errar.
- Reverendo, você sabe que Amada é uma das poucas pessoas no universo que sabe utilizar e interpretar corretamente um caômetro.
- E os resultados não são positivos. Para mim, isso só significa que haverá um novo Caracinza, e que o universo corre perigo. Essa é a única interpretação possível nesta situação.
Kalisti se levantou e começou a andar pela sala.
- Meus amigos, há muita contradição nessa história.
- Então nos diga qual é. Você sabe que eu estudei o discordianismo, mas meu foco sempre foi a militância, porque treinei para ser cavaleiro, não reverendo.
Kalisti voltou a se sentar.
- Para começar a conversa, há muita discussão sobre a figura de Caracinza. Historiadores e reverendos discutem sobre o assunto muito freqüentemente, e há um quase consenso sobre a simbologia que envolve Caracinza. Para a maioria de nós, Caracinza não existiu. Foi apenas uma consciência coletiva que tomou corpo no começo da civilização e permaneceu até o início das revoluções discordianas mais fortes nos idos da era pré-luciana.
- Então quer dizer que Caracinza nunca existiu?
- Não. Foi um estereótipo, uma associação, um símbolo. Mas infelizmente durante as revoluções ele foi levado um pouco a sério demais. É claro que estamos tratando de mais de 10000 anos atrás, então há uma chance de Caracinza realmente ter existido, mas é muito diminuta.
- Então quer dizer que o caômetro está errado?
- Não necessariamente.
- Como assim?
- Bom... - começou Lorde - nada impede que alguém lidere algum grupo insurgente contra o sistema discordiano. Essa liderança poderia, simbolicamente, representar Caracinza.
Lorde e Amada se olharam, tensos.
- Isso significaria o início da Macroera das conseqüências, certo?
- Ah, não, claro que não.
Então ninguém entendeu mais nada.
- Não, não, não. Há muita coisa errada sobre isso. É praticamente um mito, uma coisa que ninguém faz muita questão de desmistificar. O universo é muito jovem ainda. Vai durar centenas de bilhões de anos, e estamos só no começo, relativamente falando.
"O universo ainda está na macroera do Caos, se formos interpretá-lo cronologicamente. O problema é que o universo enquanto sistema isolado é assim, no entanto, o universo possui diversos elementos, e cada um possui seu próprio ciclo elementar e existencial, dentro do universo. É como um ciclo, que possuísse vários ciclos, que também possuem vários ciclos..."
"Macroeras são ciclos existenciais do universo, referem-se à existência isolada dele, e, portanto, pela idade estimada que ele terá, estamos ainda na primeira das cinco macroeras. Mas, as eras elementares dizem respeito aos elementos que compõem o universo. Um desses elementos é a humanidade."
"A humanidade possui um ciclo existencial, que equivale ao ciclo elementar chamado humanidade dentro do ciclo existencial universo. Mas a humanidade, que possui esse ciclo existencial, ou seja, tem hora pra surgir, ir embora e voltar, também possui ciclos elementares, que se referem às fases pelas quais ela passa em sua existência."
- Esses ciclos elementares são o que muitas pessoas chamam de macroeras, mas se confundem. A humanidade como a conhecemos hoje tem cerca de 106 mil anos. Julgamos estar na era da burocracia, mas isso é idealismo.
- Onde o idealismo se encaixa nessa história? - perguntou Lorde, confuso.
- O idealismo é de achar que algum acontecimento humano delimita uma era e outra. Não tem nada a ver. A maioria das pessoas julga viver na era da burocracia porque atravessamos a batalha da luz, que ocorreu há 3 mil anos atrás, e o discordianismo finalmente venceu a ignorância humana.
- E isso não é verdade? - perguntou Amada.
- Não. Se assim fosse, A era da confusão teria se iniciado por volta de 21000 A.N.S. Mas, para a maioria das pessoas, a Era da confusão se iniciou mais ou menos no ano 3000 A.N.S. Então, isso está totalmente fora de lugar. Isso significa que, se podemos moldar nosso ciclo a nossos atos, estaríamos contra o caos do universo.
- Mas isso não seria agir em liberdade?
- Não. Infelizmente, não temos controle sobre o caos, pois não podemos entendê-lo, porque ele é irracional; não podemos alcançá-lo, pois ele é imaterial e não-espiritual. Enfim; o caos é um poder que governa nossas vidas sem governá-la. Não agiríamos em liberdade sendo idealistas; agiríamos como tolos que ao invés de compreender a cronologia dos eventos, esperaríamos controlá-la, abdicando de todo o conhecimento discordiano.
- Mas quando algo ruim acontece não é uma manifestação das eras?
- É provável. Porém se a batalha da luz for uma manifestação da era da burocracia e uma insurgência ainda este ano ou ano que vem ou nos próximos anos for sinal de "as conseqüências", então a humanidade deveria ter morrido e ressurgido muitas vezes durante sua existência.
- E então a que conclusão chegamos?
- Caracinza não voltará, mas é provável que alguém esteja criando-se como líder de um grupo que planeja destruir e ordenar o sistema. E quanto à Macroera das conseqüências, é difícil dizer.
- Ainda assim ficarei atenta ao caômetro.
- Certo.
- Obrigado reverendo.
- Todos saúdam Discórdia.
- Salve Éris.
A multidão aplaudia Ariadno, que agitava a pequena multidão que tinha conquistado.
Lorde havia voltado de viagem para a Terra. Ele estava tomando café no grande salão da sede da Sociedade Discordiana Universal, em Rio Claro. O grande salão estava quase vazio. Ele estava sozinho, pois lia o jornal e gostava muito de fazê-lo ouvindo músicas de seu dispositivo musical, e comendo um sanduíche.
Quando Amada entrou no grande salão, sua atenção foi desviada por um segundo, como sempre acontecia quando alguém entrava. O salão estava deserto, ver alguém entrar é raro. Era só curiosidade.
Amada se dirigiu em direção a ele. Ela vestia uma longa túnica roxa com flores vermelhas, porém desbotadas. Seu cabelo, branco, encaracolado e volumoso, parecia estar ainda mais rebelde hoje, e seu rosto enrugado e pálido parecia estar ainda mais pálido.
- Amada, como vai?
- Preciso falar com você, Lorde.
- Claro. Sente-se.
Amada pegou uma cadeira e se sentou em frente à Lorde.
- Eu acho que algo está prestes a acontecer. Algo muito ruim.
- Porque hoje não existe mais ordem! Vivemos em vão! Eu tenho certeza que meu Deus todo poderoso tem planos para mim, mas estou aqui para passar por este mundo sujo e pecaminoso, sem nenhum projeto a ter!
Ariadno estava vestido bem, e conversava na praça de uma comunidade em Z-20 com várias pessoas. Estava tentando convencê-las de suas idéias. Que não eram novas, mas ele não alegava que eram. Ele mesmo dizia que a nova era permaneceu por tempo demais não governando a vida das pessoas, e que o passado glorioso das repúblicas democráticas deveria ser restabelecido.
Uma boa idéia para os moradores do afastado planeta Z-20.
- Como assim?
- Você precisa me ouvir, eu...
- Calma, Amada, me conte com calma. Do que você está falando?
- Estou falando... Da volta de Caracinza. Aquele que irá colocar o universo na Macroera das Conseqüências e trazê-lo ao fim iminente.
- Não, espere um momento... - Lorde se confundiu por um tempo, mas foi apenas a confusão provocada por uma informação estranha colocada assim, muito rapidamente. - Você se refere à Caracinza, o...
- Sim, o da maldição. O de tempos passados. Ele voltará, Lorde. E tenho muito a dizer.
- Reverendo! Reverendo!
Lorde e Amada vinham em um corredor. Eles chamavam pelo Reverendo Kalisti, um grande estudioso do discordianismo, universalmente famoso.
- Sim, Lorde e Amada, como vão? - perguntou Kalisti.
- Não tão bem. Tem um tempo para nós?
- Claro, claro. Vamos até a minha sala.
- Vocês estão me dizendo que Caracinza voltará? - perguntou Kalisti, sentando-se em sua cadeira, e com uma feição de incredulidade.
- É o que o caômetro sentiu. Você sabe que ele não costuma errar.
- Reverendo, você sabe que Amada é uma das poucas pessoas no universo que sabe utilizar e interpretar corretamente um caômetro.
- E os resultados não são positivos. Para mim, isso só significa que haverá um novo Caracinza, e que o universo corre perigo. Essa é a única interpretação possível nesta situação.
Kalisti se levantou e começou a andar pela sala.
- Meus amigos, há muita contradição nessa história.
- Então nos diga qual é. Você sabe que eu estudei o discordianismo, mas meu foco sempre foi a militância, porque treinei para ser cavaleiro, não reverendo.
Kalisti voltou a se sentar.
- Para começar a conversa, há muita discussão sobre a figura de Caracinza. Historiadores e reverendos discutem sobre o assunto muito freqüentemente, e há um quase consenso sobre a simbologia que envolve Caracinza. Para a maioria de nós, Caracinza não existiu. Foi apenas uma consciência coletiva que tomou corpo no começo da civilização e permaneceu até o início das revoluções discordianas mais fortes nos idos da era pré-luciana.
- Então quer dizer que Caracinza nunca existiu?
- Não. Foi um estereótipo, uma associação, um símbolo. Mas infelizmente durante as revoluções ele foi levado um pouco a sério demais. É claro que estamos tratando de mais de 10000 anos atrás, então há uma chance de Caracinza realmente ter existido, mas é muito diminuta.
- Então quer dizer que o caômetro está errado?
- Não necessariamente.
- Como assim?
- Bom... - começou Lorde - nada impede que alguém lidere algum grupo insurgente contra o sistema discordiano. Essa liderança poderia, simbolicamente, representar Caracinza.
Lorde e Amada se olharam, tensos.
- Isso significaria o início da Macroera das conseqüências, certo?
- Ah, não, claro que não.
Então ninguém entendeu mais nada.
- Não, não, não. Há muita coisa errada sobre isso. É praticamente um mito, uma coisa que ninguém faz muita questão de desmistificar. O universo é muito jovem ainda. Vai durar centenas de bilhões de anos, e estamos só no começo, relativamente falando.
"O universo ainda está na macroera do Caos, se formos interpretá-lo cronologicamente. O problema é que o universo enquanto sistema isolado é assim, no entanto, o universo possui diversos elementos, e cada um possui seu próprio ciclo elementar e existencial, dentro do universo. É como um ciclo, que possuísse vários ciclos, que também possuem vários ciclos..."
"Macroeras são ciclos existenciais do universo, referem-se à existência isolada dele, e, portanto, pela idade estimada que ele terá, estamos ainda na primeira das cinco macroeras. Mas, as eras elementares dizem respeito aos elementos que compõem o universo. Um desses elementos é a humanidade."
"A humanidade possui um ciclo existencial, que equivale ao ciclo elementar chamado humanidade dentro do ciclo existencial universo. Mas a humanidade, que possui esse ciclo existencial, ou seja, tem hora pra surgir, ir embora e voltar, também possui ciclos elementares, que se referem às fases pelas quais ela passa em sua existência."
- Esses ciclos elementares são o que muitas pessoas chamam de macroeras, mas se confundem. A humanidade como a conhecemos hoje tem cerca de 106 mil anos. Julgamos estar na era da burocracia, mas isso é idealismo.
- Onde o idealismo se encaixa nessa história? - perguntou Lorde, confuso.
- O idealismo é de achar que algum acontecimento humano delimita uma era e outra. Não tem nada a ver. A maioria das pessoas julga viver na era da burocracia porque atravessamos a batalha da luz, que ocorreu há 3 mil anos atrás, e o discordianismo finalmente venceu a ignorância humana.
- E isso não é verdade? - perguntou Amada.
- Não. Se assim fosse, A era da confusão teria se iniciado por volta de 21000 A.N.S. Mas, para a maioria das pessoas, a Era da confusão se iniciou mais ou menos no ano 3000 A.N.S. Então, isso está totalmente fora de lugar. Isso significa que, se podemos moldar nosso ciclo a nossos atos, estaríamos contra o caos do universo.
- Mas isso não seria agir em liberdade?
- Não. Infelizmente, não temos controle sobre o caos, pois não podemos entendê-lo, porque ele é irracional; não podemos alcançá-lo, pois ele é imaterial e não-espiritual. Enfim; o caos é um poder que governa nossas vidas sem governá-la. Não agiríamos em liberdade sendo idealistas; agiríamos como tolos que ao invés de compreender a cronologia dos eventos, esperaríamos controlá-la, abdicando de todo o conhecimento discordiano.
- Mas quando algo ruim acontece não é uma manifestação das eras?
- É provável. Porém se a batalha da luz for uma manifestação da era da burocracia e uma insurgência ainda este ano ou ano que vem ou nos próximos anos for sinal de "as conseqüências", então a humanidade deveria ter morrido e ressurgido muitas vezes durante sua existência.
- E então a que conclusão chegamos?
- Caracinza não voltará, mas é provável que alguém esteja criando-se como líder de um grupo que planeja destruir e ordenar o sistema. E quanto à Macroera das conseqüências, é difícil dizer.
- Ainda assim ficarei atenta ao caômetro.
- Certo.
- Obrigado reverendo.
- Todos saúdam Discórdia.
- Salve Éris.
A multidão aplaudia Ariadno, que agitava a pequena multidão que tinha conquistado.
Tags : adventureAmadaLordeAriadnoKalisti