Era das Conseqüências: A Batalha de Learsi

  • Chapter 6, 12 de Burocracia de 7243 Nossa Senhora

Insurgências e diálogos

No outro dia, uma multidão havia comparecido à praça no centro da cidade sitiada pelos insurgentes para ouvir Ariadno. Cercados por soldados armados, aquela massa parecia estranha demais.
Por que eles não reagiram? Por que pareciam tão submissos, tão atentos? Por que tinham tanto vontade de ouvir Ariadno? Talvez seu plano tivesse dado certo, pensou. "É, foi isso o que aconteceu".
- Bem-vindos todos à casa do senhor.
Silêncio...
- A casa do senhor é aqui... Entre essas árvores, entre o céu, entre... Entre todos nós...
Então de cima de uma árvore alguém camuflado entre as densas e grossas folhas caiu atrás de Ariadno, puxou a espada (que denunciava: ele era discordiano) e com ela ameaçava matar Ariadno.
Todos os soldados puxaram suas armas de fogo e apontaram para ele. Então a multidão começou a aplaudir a iniciativa do cavaleiro discordiano. Nesse momento, aproximadamente duas dúzias de cavaleiros discordianos se revelaram no meio da multidão, e iniciaram uma luta contra os soldados. Houve tiros; algumas pessoas ficaram feridas, e a multidão deixou que seu apoio se transformasse em medo; todos correram apavorados. O som das rajadas de balas explosivas e das explosões que causavam assustou os discordianos oprimidos, que não eram cavaleiros. No entanto, os bravos cavaleiros continuaram a investida. Enquanto os soldados estavam ocupados com os outros cavaleiros, o cavaleiro camuflado levou Ariadno sob ameaça para dentro de um armazém, que ficava muito perto à praça onde Ariadno discursava.


- Reverendo Manoel, como vai?
- Muito bem, Kalisti. Algum motivo especial para nos falarmos?
- Sim, Reverendo. Uma caocientista da Terra havia nos alertado, nos idos de Discórdia deste ano, que talvez alguém estivesse liderando um movimento insurgente contra o discordianismo. Não lhe demos a devida atenção, mesmo porque a informação não era suficientemente detalhada para que pudéssemos tomar qualquer decisão.
- Compreendo você. Por aqui aconteceu a mesma coisa.
- Sério?
- Sim.
- Bom, espero então trazer-lhe uma novidade agora: a mesma caocientista veio para mim com uma teoria: na vez anterior, ela pensava que o próximo "Caracinza" viria trazer a era das conseqüências para esse universo.
- Mas sequer saímos da era do Caos...
- Sim, sim, eu expliquei isso a ela. Mas agora ela me disse que fez as contas, e eu também, e concordamos que talvez esse evento marque a era das conseqüências do discordianismo.
Silêncio. Reverendo Manoel pensa... Reflete... E isso faz todo o sentido.
- Isso é verdade?
- Considero que é difícil que não seja.
- Consultarei mais reverendos para saber a opinião deles.
- Farei o mesmo, Manoel.
- Kalisti...
- O que é?
- Se isso for verdade, temos que vencer essa guerra de qualquer maneira.
- Sem dúvida... - Confirmou Kalisti - ou então o que virá depois disso é inimaginável... Todos saúdam Discórdia.
- Salve Éris.


Andreah dormia na sua cadeira, enquanto Lorde e Berto viajavam pelo espaço com uma velocidade gigantesca, para chegar até Learsi (O novo nome de Z-20, segundo os rebeldes) daqui a 29 dias.
Lorde conferia a integridade de sua arma de decomposição quântica, até que Berto tirou os fones de ouvido e perguntou para Lorde:
- E a Andreah?
Lorde olhou de esguelha para Berto, deu um sorrisinho e voltou a conferir a carga da arma.
- Bem... Ela é legal.
- Você já a conhecia?
- Não. Só ouvi falar dela.
- E então?
- Agora não tenho cabeça pra pensar nisso. Estamos a menos de meio mês de uma guerra, tenha paciência...
- Ah... Sei...
Nesse momento o fone de ouvido podia ser ouvido até mesmo por Lorde. Berto tinha retirado o fone pra falar com Lorde.
- Ó... Presta atenção aí...
- Claro, claro... - Falou Berto enquanto pegava o fone e colocava na cabeça. - Certo. Entendido. - Berto tirou o fone. - Boas notícias. Nem todos os cavaleiros discordianos foram presos durante o ato revolucionário. Alguns fugiram e agora voltaram. Parece que renderam Ariadno.
- Nossa... Então não vai haver uma guerra?
- Provavelmente não.


O Cavaleiro camuflado largou Ariadno e tirou a máscara. Ariadno tinha o rosto pálido e estava amedrontado. Reconheceu o rosto.
- Mas você... Você não é...
- Senhor, temos que fugir. Eu vi a reunião que planejava o ataque. Consegui salvá-lo a tempo, mas temos que ir agora.
Ariadno e o soldado fogem.


Mais soldados haviam vindo para conter o ataque. Vários cavaleiros discordianos estavam mortos, e apenas um dos que lutavam na praça havia fugido.
Mas era tarde.
- Sabia que aquele era um impostor... Droga! Se eu pudesse... - Ele tinha percebido que o cavaleiro era apenas um soldado camuflado, e que eles haviam fugido.
Nesse momento, ele foi atingido por um tiro. Havia um soldado que tinha entrado pelos fundos do armazém.


- Mas isso então...
- Espere... - Berto colocou os fones.
O silêncio era totalmente justificável. Era possível ouvir apenas algum barulho do fone de ouvido, mas não era possível ouvir tudo. A apreensão era geral. Poderia definir o futuro da guerra - até mesmo a existência da guerra.
Berto tirou os fones. Sua cara não era das melhores. Ele colocou a mão no cabelo e fechou os olhos. Respirou profundamente.
- O que foi Berto, responda, estamos loucos aqui! - suplicou Andreah, que havia sido acordada diante da nova perspectiva.
- É, diga de uma vez!
Berto esperou mais um pouco.
- Os cavaleiros foram mortos. Ariadno parecia ter sido seqüestrado por um, mas era mentira. Era uma farsa, um soldado disfarçado, os outros pensam. Ariadno está seguro e aqueles que abririam as portas para nós estão... Mortos.
Silêncio.
- Droga.
- Poxa, que ótimo! - disse ironicamente Lorde, recostando-se na cadeira.
- E agora, o que fazemos?
- Continuamos.
- E vamos até o fim.
- O problema... - começou Berto - É que sem eles lá para a cobertura, seremos não só detectados quando chegarmos como esperados. Digo, não podemos chegar discretamente na cidade. Não sabemos aonde chegar discretamente, então teremos que realizar um assalto aéreo.
- Eles não deveriam ter feito isso, não é mesmo?
- Não é o que nós tínhamos combinado, mas eles têm autonomia. Poderia ter dado certo, oras. Era uma chance única onde Ariadno não se lembrou que era odiado por milícias na cidade sitiada. Eles tinham chances de vencer. Isso piorou o nosso lado, mas poderia ter resolvido também.
- É. Não deu certo. Vamos em frente.
A nave continuou sem se desviar de sua rota.
- Mas gente, não estamos raciocinando. - disse Andreah - É só parar pra pensar. Podemos formar nosso próprio acampamento nas zonas não habitadas do planeta, facilmente. O planeta não está todo ocupado, e não seremos descobertos.
Lorde e Berto pensaram.
Descobriram então o ridículo de seus pensamentos.
O silêncio do lapso de raciocínio se estendeu por um bom tempo na nave.

Tags : adventureAriadnoManoelKalistiAndreahLordeBerto

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