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Chapter 7, 20 de Burocracia de 7243 Nossa Senhora
- written 16th Jul 2007 by peterson0a0
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Coincidências
Tags : adventureAriadnoComandanteKalistiAmadaLordeBertoAndreah
Ariadno entrou, sempre com roupa impecavelmente limpa, bem arrumado, bem apresentável. Seu rosto desapaixonado, desinteressado.
Ariadno sentou-se em seu lugar de hábito, e começou a reunião.
- Os cavaleiros discordianos de Learsi estão definitivamente liquidados senhor. Não há mais nenhum nesta região nem em qualquer outra.
- Ótimo.
- Entretanto... - Continuou o Comandante - Há um problema.
Ariadno pareceu menos contente ainda com a notícia.
- É que... Bem, recebemos a notícia de que a Sociedade Discordiana Universal declarou guerra contra o governo de Learsi.
- Há! Muito interessante. A opinião pública irá se voltar contra eles. Quem mais morre em guerras são os civis, não os militares. Isso sempre se tornou evidente.
- É, mas a opinião pública não poderá ficar a favor de nós...
- Estou trabalhando nisso, comandante. - disse Ariadno, com ênfase em cada palavra.
O Comandante enrubesceu e se calou. Não sabia do que Ariadno estava falando, no entanto sabia que não gostava de ser assim repreendido. Ficava, assim como qualquer um, com medo.
No término da reunião, Ariadno permaneceu na sala e pediu para que o comandante também o fizesse.
- Comandante... - Começou Ariadno. - Como anda o nosso plano?
O comandante tentou iniciar a conversa, mas só o que fez foi engolir ar até que pudesse falar algo.
- Bem... O treinamento está indo muito bem. Nossos voluntários estão sendo instruídos e estarão prontos em algumas semanas.
- Algumas semanas?! - perguntou Ariadno, irritado. - Eu não tenho todo esse tempo, Comandante. Eu quero os monges prontos em alguns dias.
- Mas senhor...
- Entendeu, comandante? - questionou Ariadno, irritado com as impossibilidades técnicas.
- Certo, senhor.
Ao sair da reunião, Ariadno dirigia-se com guarda-costas pelas ruas até seu carro, quando foi atingido por uma bola.
Uma bola.
De brinquedo.
Crianças jogavam Futebol ali perto e a força de um chute fez com que a bola acertasse o rosto de Ariadno. Imediatamente, ele tomou a arma de um de seus soldados e atirou na bola, assustando todos que estavam ali próximos.
As crianças estavam assustadas. Uma gritou:
- Caracinza!!!
Ariadno fechou os olhos e respirou fundo. Apertou a arma em sua mão, mas então expirou com força e devolveu a arma ao seu soldado. Olhando para a criança, falou, ponderado:
- Pois diga a seus amigos que sou Caracinza, o novo, e que poderia, não só poderia como vou, mostrar a eles do que a minha maldição é capaz, se não tomarem cuidado.
Todos ali ouviram a mensagem muito bem.
E assim ela atravessa o universo.
- Veja isso!
Passando o leitor X-I-500 no pequeno pedaço de papel entregue por Amada, uma projeção se ergueu no espaço à frente deles na sala do Reverendo Kalisti. Ele lia pela Rede Universal de Computadores uma notícia sobre Learsi.
A manchete era clara: "PERIGO IMINENTE: ARIADNO DECLARA-SE CARACINZA, O NOVO".
O resto da matéria se dedicava a contar a história do princípio da maldição de Caracinza e o modo como isso afetava a relação entre Learsi e a Sociedade Discordiana. A sociedade tinha declarado guerra a eles, há quase duas semanas atrás (e estavam a 16 dias de realizar uma grande operação de guerra contra Learsi, informação esta que foi ocultado do jornal por causa de seu teor estratégico).
- Não consigo acreditar. - disse Reverendo Kalisti.
- Hoje mesmo vou conferir meu caômetro. Informarei-lhe sobre o que o universo me informa.
Amada sai da sala do reverendo, enquanto ele continua pensando. Ele bruscamente se levanta e sai também, mas tem um destino diferente do de Amanda.
Ele vai para a sala de comunicações.
- Reverendo Kalisti, aquilo foi um acidente, até onde sei, uma criança o insultou de Caracinza, e ele a ameaçou.
- O que não deixa de ser, de certa forma, terrível.
- É. É sim... Mas, não temos o que temer. Sabemos há séculos que o conceito de espírito é uma bobagem.
- Não estou dizendo que Ariadno seja uma reencarnação de Caracinza, estou apenas dizendo que agora podemos ter certeza de sua simbologia.
- É, é uma coincidência. Mas não tenha certezas, Kalisti. Não é de bom tom. Você sabe que não...
- Perdoe minha falha, reverendo.
- O que ele queria? - perguntou Andreah.
- Ele quer avisar que Ariadno se declarou Caracinza, o novo.
- Para tentar provocar a sociedade discordiana? - inquiriu Lorde.
- Não. Parece que ele não quis fazer isso, mas fez. - disse Berto, um tanto quanto descrente.
- Ah, claro...
- Manifestação do Caos nesse universo... Nós com um medo terrível de que ele fosse mesmo o Caracinza e ele diz isso sem querer...
- Pode ser que não tenha sido sem querer. - disse Lorde.
- Mas sabe o que eu ouvi antes de embarcar? - disse Andreah - que esse tal de Ariadno é um louco.
- Como assim?
- É claro que ele é louco! - disse Lorde - já se vê pelas suas atitudes e suas ideologias!
- Não é disso que estou falando. Estou falando de saúde mental mesmo. Disseram-me que ele era um dos sobreviventes do desastre em Z-15, lembram disso?
- Nossa, a gente era adolescente quando isso aconteceu.
- Pois é. Dizem que ele fugiu do hospital psiquiátrico onde viveu internado por anos e então causou esse desastre todo.
- Será que isso é verdade?
- Não sei, mas não será fácil lutar com um louco.
- Ele usará a tática discordiana melhor do que nós.
- Sem dúvida. - confirmou Lorde.
Já era de madrugada quando os tripulantes da nave discordiana conversavam sobre o assunto. Já era dia 21 de Burocracia, por tanto.
Desse dia em diante, os dias voavam. Faltavam apenas 15 dias para o início da invasão discordiana no planeta Learsi, e o universo toda sentia a tensão no ar.
A 5 dias da chegada das primeiras naves, Amada escreve em seu registro do caômetro o seguinte parágrafo: "as forças da coluna 2, 5, 6, 9 e 23 nunca estiveram tão pretas, assim como a 1, a 3 e a 4 nunca estiveram tão laranjas. Não há uma coluna ou triângulo que possa ser alcançado até por meta conexão que resulte em coloração azul ou branca. Parece que o universo está à beira de liberar todo o caos dentro de si, mas não sei até onde isso é bom. Não sei nem se é bom".
Ariadno sentou-se em seu lugar de hábito, e começou a reunião.
- Os cavaleiros discordianos de Learsi estão definitivamente liquidados senhor. Não há mais nenhum nesta região nem em qualquer outra.
- Ótimo.
- Entretanto... - Continuou o Comandante - Há um problema.
Ariadno pareceu menos contente ainda com a notícia.
- É que... Bem, recebemos a notícia de que a Sociedade Discordiana Universal declarou guerra contra o governo de Learsi.
- Há! Muito interessante. A opinião pública irá se voltar contra eles. Quem mais morre em guerras são os civis, não os militares. Isso sempre se tornou evidente.
- É, mas a opinião pública não poderá ficar a favor de nós...
- Estou trabalhando nisso, comandante. - disse Ariadno, com ênfase em cada palavra.
O Comandante enrubesceu e se calou. Não sabia do que Ariadno estava falando, no entanto sabia que não gostava de ser assim repreendido. Ficava, assim como qualquer um, com medo.
No término da reunião, Ariadno permaneceu na sala e pediu para que o comandante também o fizesse.
- Comandante... - Começou Ariadno. - Como anda o nosso plano?
O comandante tentou iniciar a conversa, mas só o que fez foi engolir ar até que pudesse falar algo.
- Bem... O treinamento está indo muito bem. Nossos voluntários estão sendo instruídos e estarão prontos em algumas semanas.
- Algumas semanas?! - perguntou Ariadno, irritado. - Eu não tenho todo esse tempo, Comandante. Eu quero os monges prontos em alguns dias.
- Mas senhor...
- Entendeu, comandante? - questionou Ariadno, irritado com as impossibilidades técnicas.
- Certo, senhor.
Ao sair da reunião, Ariadno dirigia-se com guarda-costas pelas ruas até seu carro, quando foi atingido por uma bola.
Uma bola.
De brinquedo.
Crianças jogavam Futebol ali perto e a força de um chute fez com que a bola acertasse o rosto de Ariadno. Imediatamente, ele tomou a arma de um de seus soldados e atirou na bola, assustando todos que estavam ali próximos.
As crianças estavam assustadas. Uma gritou:
- Caracinza!!!
Ariadno fechou os olhos e respirou fundo. Apertou a arma em sua mão, mas então expirou com força e devolveu a arma ao seu soldado. Olhando para a criança, falou, ponderado:
- Pois diga a seus amigos que sou Caracinza, o novo, e que poderia, não só poderia como vou, mostrar a eles do que a minha maldição é capaz, se não tomarem cuidado.
Todos ali ouviram a mensagem muito bem.
E assim ela atravessa o universo.
- Veja isso!
Passando o leitor X-I-500 no pequeno pedaço de papel entregue por Amada, uma projeção se ergueu no espaço à frente deles na sala do Reverendo Kalisti. Ele lia pela Rede Universal de Computadores uma notícia sobre Learsi.
A manchete era clara: "PERIGO IMINENTE: ARIADNO DECLARA-SE CARACINZA, O NOVO".
O resto da matéria se dedicava a contar a história do princípio da maldição de Caracinza e o modo como isso afetava a relação entre Learsi e a Sociedade Discordiana. A sociedade tinha declarado guerra a eles, há quase duas semanas atrás (e estavam a 16 dias de realizar uma grande operação de guerra contra Learsi, informação esta que foi ocultado do jornal por causa de seu teor estratégico).
- Não consigo acreditar. - disse Reverendo Kalisti.
- Hoje mesmo vou conferir meu caômetro. Informarei-lhe sobre o que o universo me informa.
Amada sai da sala do reverendo, enquanto ele continua pensando. Ele bruscamente se levanta e sai também, mas tem um destino diferente do de Amanda.
Ele vai para a sala de comunicações.
- Reverendo Kalisti, aquilo foi um acidente, até onde sei, uma criança o insultou de Caracinza, e ele a ameaçou.
- O que não deixa de ser, de certa forma, terrível.
- É. É sim... Mas, não temos o que temer. Sabemos há séculos que o conceito de espírito é uma bobagem.
- Não estou dizendo que Ariadno seja uma reencarnação de Caracinza, estou apenas dizendo que agora podemos ter certeza de sua simbologia.
- É, é uma coincidência. Mas não tenha certezas, Kalisti. Não é de bom tom. Você sabe que não...
- Perdoe minha falha, reverendo.
- O que ele queria? - perguntou Andreah.
- Ele quer avisar que Ariadno se declarou Caracinza, o novo.
- Para tentar provocar a sociedade discordiana? - inquiriu Lorde.
- Não. Parece que ele não quis fazer isso, mas fez. - disse Berto, um tanto quanto descrente.
- Ah, claro...
- Manifestação do Caos nesse universo... Nós com um medo terrível de que ele fosse mesmo o Caracinza e ele diz isso sem querer...
- Pode ser que não tenha sido sem querer. - disse Lorde.
- Mas sabe o que eu ouvi antes de embarcar? - disse Andreah - que esse tal de Ariadno é um louco.
- Como assim?
- É claro que ele é louco! - disse Lorde - já se vê pelas suas atitudes e suas ideologias!
- Não é disso que estou falando. Estou falando de saúde mental mesmo. Disseram-me que ele era um dos sobreviventes do desastre em Z-15, lembram disso?
- Nossa, a gente era adolescente quando isso aconteceu.
- Pois é. Dizem que ele fugiu do hospital psiquiátrico onde viveu internado por anos e então causou esse desastre todo.
- Será que isso é verdade?
- Não sei, mas não será fácil lutar com um louco.
- Ele usará a tática discordiana melhor do que nós.
- Sem dúvida. - confirmou Lorde.
Já era de madrugada quando os tripulantes da nave discordiana conversavam sobre o assunto. Já era dia 21 de Burocracia, por tanto.
Desse dia em diante, os dias voavam. Faltavam apenas 15 dias para o início da invasão discordiana no planeta Learsi, e o universo toda sentia a tensão no ar.
A 5 dias da chegada das primeiras naves, Amada escreve em seu registro do caômetro o seguinte parágrafo: "as forças da coluna 2, 5, 6, 9 e 23 nunca estiveram tão pretas, assim como a 1, a 3 e a 4 nunca estiveram tão laranjas. Não há uma coluna ou triângulo que possa ser alcançado até por meta conexão que resulte em coloração azul ou branca. Parece que o universo está à beira de liberar todo o caos dentro de si, mas não sei até onde isso é bom. Não sei nem se é bom".
Tags : adventureAriadnoComandanteKalistiAmadaLordeBertoAndreah