Era das Conseqüências: A Batalha de Learsi

  • Chapter 8, 32 de Burocracia de 7243 Nossa Senhora

O que está por vir, e os problemas começam

7 dos 10 Soldados que estavam dentro da N-P, Nave pioneira da invasão discordiana (sentido Oban-Learsi) dormiam. Daqui a 4 dias, eles finalmente chegariam até Learsi, e iniciariam uma batalha, uma grande batalha, dessas que não acontecem desde há muito tempo no universo. Aliás, desde a época em que o universo ainda começava a ser desbravado em lugares mais longínquos.
Os outros três salvaguardavam a estrutura da nave. Era preciso garantir que a nave estivesse pronta para a batalha, que as armas estavam realmente prontas, e qualquer outro detalhe. 2 Soldados eram encarregados disso, mas esses dois soldados não eram dois, eram todos, que se revezavam. Até o motorista, o terceiro dos 3 que ficavam acordados, também era só uma função, na qual as pessoas se revezavam.
Tudo estava silencioso. No painel, o silêncio era maravilhoso, porque se alguma coisa desse errado, provavelmente um som infernal começaria a tocar, para avisar que algo deu errado, e aí isso com certeza tiraria do sério qualquer um que pilotasse uma nave.
Exceto, é claro, um cavaleiro discordiano treinado para suportar a irritação de diversos barulhos.
Então...
Um barulho começou a fazer barulho.
O radar 3D da nave começou a fazer giros da câmera abstrata impressionantes, que confundiam os três cavaleiros que cuidavam da nave enquanto os outros dormiam naquele dia.
Então o radar parou. Não demorou nem 3 segundos para que os cavaleiros percebessem do que se tratava.
Uma nave.
Não seria espanto se a nave não possuísse 3 características específicas:
Estar se movendo contra eles;
Possuir armas;
E ser reconhecida no sistema como nave de Z-20 (Learsi).
Foi o suficiente. Os cavaleiros discordianos sentaram-se nas três cadeiras do painel de controle para combate.
Em alguns segundos, as duas naves passariam entre si a uma velocidade de viagem intergaláctica, ou seja, seria de bom tom começar a batalha com uma mensagem de boas vindas.
Provavelmente a outra nave também estava pensando nisso.
E a mensagem seria um tiro. Se acertasse, seria tudo que a batalha teria de emocionante.
A sorte estava lançada. Porque acertar a essa velocidade... É raro.


- Vocês não estão sentindo alguma coisa estranha? - perguntou Berto.
Poucos segundos depois de uma inspeção cuidados com uma varredura de olhos, tanto de Andreah quanto de Lorde, ficou provado que Berto tinha razão.
Enquanto Andreah cuidava da direção da nave, Lorde inspecionava os resultados da conferência eletrônica sobre o estado das armas de combate da nave. E Berto dormia. Tudo isso foi interrompido quando o cano de aço que une o assento dos bancos da tripulação e o chão emissor de grávitons foi completamente quebrado, como se fosse amassado pelo peso de Berto. Mas não foi o que aconteceu, ele não pesava tanto assim.
O que ocorreu é que o chão foi projetado para a síntese de grávitons, partículas quânticas geradas como muita dificuldade, mas que, uma vez geradas, criam um campo de gravidade.
A praticidade disso é que, dessa forma, a nave pode estar de qualquer forma, em qualquer direção, em qualquer sentido, mas eles sempre se sentiriam grudados ao chão. O chão imitaria, de certa forma, o chão da Terra, por exemplo.
O problema é que o gerador de grávitons parecia estar quebrado.
E isso era péssimo.


O tiro não acertou a nave rebelde, mas tampouco a nave discordiana foi alvejada.
A velocidade de viagem foi cancelada. A velocidade de combate foi ativada, e os três cavaleiros prepararam a nave para combate. O radar apitava desordenadamente, avisando que a nave também estava em velocidade de combate e se aproximava.
O ponto que representava a nave se tornava cada vez mais nítido... Até que as armas estavam prontas.
Os cavaleiros e os rebeldes começaram a atirar. As naves realizavam manobras pra escapar dos tiros, mas foram para o mesmo lado. Os rebeldes tentaram ir para o lado, mas os discordianos foram junto com eles para evitar o empurrão. Os cavaleiros diminuíram a velocidade para atirar na nave. Antes que os rebeldes se dessem conta, o motor já estava seriamente destruído.
Mas eles não desistiram. Desviaram da armadilha discordiana e tentaram girar. Mas o giro foi repetido pelos cavaleiros, que continuaram a atacar os insurgentes de Learsi.
Até que a nave de Z-20, um pouco mais atingida, ativou a velocidade de viagem e sumiu, na direção do planeta de origem.
A nave discordiana que vinha logo atrás na seqüência ativou a velocidade de batalha. O radar havia apontado que a N-P estava viajando em velocidade de batalha.
Logo as duas partiram para o planeta, dessa vez juntas.


A Lei de Murphy, descoberta há milênios atrás, nunca se fez tão presente.
No instante em que a gravidade anormal foi ativada por um defeito no chão gravitacional, e Lorde, Berto e Andreah tinham que lutar para continuar minimamente sentados, o radar começou a avisar que um corpo estranho poderia colidir com a nave, caso ela não diminuísse a velocidade...
Mas isso, assim, contado na frieza de uma página de livro, não surte efeito algum.
Agora imagine a cena caótica. O ranger do aço se amassando violentamente e cruelmente contra o chão, os gemidos de força que os cavaleiros discordianos faziam para conseguirem se levantar e o radar, com um barulho infernal, produziam um verdadeiro pandemônio.
Bem como qualquer discordiano gosta.
Nessa situação, Berto conseguiu apoiar-se com o braço na cadeira do chão. Foi uma péssima idéia, aliás, voltar-se de costas para o painel, achando que poderia se apoiar melhor com os dois braços. Caiu novamente de cara pro chão, ou melhor, caiu com o rosto no estofado da cadeira.
O radar apitava agora ainda mais loucamente. Parecia que faltava um minuto para o apocalipse, para a era das conseqüências.
Mas não.
Faltava apenas 15 segundos para a colisão de um meteorito com a nave.
Lorde conseguiu libertar sua mão por uns instantes, mas como estava longe do painel, sacou sua espada, que foi imediatamente entortada em direção ao chão, sendo que ela era feita de um dos materiais mais resistentes encontrados na terra.
Com a espada entortada e a idéia de que seu esforço não poderia ter continuidade, Lorde se deixou levar e caiu no chão.
Enquanto isso, Berto conseguia levantar o pé, que ele forçou contra o teclado do computador de bordo. Apertou algumas teclas aleatoriamente. Um pequeno barulho foi feito, mas foi pequeno demais pra ser ouvido por qualquer um dos três cavaleiros. Faltavam 8 segundos para a colisão. O pé de Berto escorregou e voltou a entrar em contato com o chão.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... - Gritava Andreah.
-... AAABAIXA A VELOCIDADEEEEEEE!!!!! - Gritou Lorde, emendando o grito de desespero de Andreah a um comando de voz pra nave.
Que funcionou.
O radar parou de gritar, a nave havia entrado em velocidade de batalha.
Andreah abriu os olhos, que estavam apertados. Berto fez a mesma coisa, e olhou com dificuldade para o lado, onde estava Lorde, ofegante, olhando para o teto, colado ao chão.
- Acho... Que você... E... Eu... Ativou... Ativamos... A... - Lorde parou um pouco antes de continuar - O comando... De... Voz...
Berto fechou os olhos. Havia entendido o que fez com seu pé, afinal.
- Normalizar gravidade! - gritou Andreah.
O computador não respondeu.
- Pesquisar por erros físicos na espaçonave! - gritou Berto.
O computador de bordo emitiu um sinal, que Berto interpretou como sendo uma confirmação da existência de um ou mais erros na nave.
- Corrigir erros!
Alguns minutos depois, a gravidade havia sido normalizada.
- Acho que vou precisar de uma espada nova - disse Lorde, olhando para sua espada totalmente torta.

Tags : adventureLordeBertoAndreah

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